A memória ficou na poeira da estrada ou nos fragmentos do asfalto, mas a este esgotado "Crônicas de Motel", um livro que é a cara dos anos 80, lembro que deve muito o roteiro de "Paris, Texas", o filme. Pra quem não ligou o nome à pessoa, Sam Shepard é o roteirista do filme de Wim Wender, pra se ver que o alemão teve a ajuda de mão americana ao desnudar as emoções do país estrangeiro. Mas a mão americana de Shepard, a gente percebe, vem de outra "América" - uma América mais afinada com aquela que João Moreira Salles mostrou numa série de documentários exibidos nos mesmos anos 80 pela então TV Manchete; uma América mais John Steinbeck, uma América que é menos espetáculo e mais contemplação. As crônicas do livro remetem a esse país e a essas pessoas e suas relações - é o que ficou. E falando dele eu lembro, a título de similaridade, de um outro filme "estrangeiro" feito nos EUA, o belo "Um Beijo Roubado", de Kar War Wong. Bem, "Crônicas de Motel", o livro, deve valer uma fortuna nos sebos, caso você encontre uma das raras edições que a máquina registradora do tempo não triturou. Ah, sim, Sam Shapard também foi o poeta que decantou em versos o rosto sem maquiagem da sua mulher naqueles tempos, a atriz Jessica Lange (que está com ele no doloroso docudrama "Frances", mas este é assunto pra um outro post).
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